Inspiração ou plágio?

Ontem vi uma notícia de Jusin Timberlake (que não é um músico que eu goste de ouvir) foi processado por plágio pelo Cirque du Soleil (esse sim, sempre gostei de ouvir – e, posteriormente, de ver). O circo canadense alega que ele usou trechos da música Steel Dreams na sua Don’t Hold the Wall.

Realmente. Se você for direto ao minuto 4:04 da Don’t Hold the Wall, vai perceber o início da Steel Dreams. São 8 compassos de cópia. Há uma lenda urbana de que o uso de determinado número de compassos não caracterizaria plágio (e até por isso as trilhas sonoras de um Globo Reporter da vida – excelentes, por sinal – usariam apenas trechinhos das músicas e coisa e tal). Pouco importa. Um processo desses sempre é da ordem de milhões de dólares e dá uma certa dor de cabeça para as partes.

Sinceramente, não vejo nada de mal em fazer esse tipo de uso como “musica incidental”, desde que creditada. Parece que não foi o caso. A parte óbvia, é que se trata, de fato, da própria música dentro da outra, sem tirar nem pôr. Não é uma referência ou uso da mesma harmonia com outra melodia, o que, muitas vezes, nem é notado por grande parte das pessoas.

Isso lembra a história do sucesso das músicas com os mesmos 4 acordes (técnicamente não precisam ser os mesmos quatro, considerando-se o tom da música, mas sim pela relação harmônica entre eles). É o que a banda australiana Axis of Awesome mostrou nesse vídeo de 2011:

E depois fizeram uma versão bem produzida, que ficou muito legal. Mas esse é assunto para outro post.

Voltando aos plágios, fiz um breve levantamento sobre alguns casos emblemáticos. Quem não se lembra, desde que tenha idade para tal, do caso do Vanilla Ice que descaradamente “chupinhou” a música Under pressure, do Queen? Sobre esse e outros casos, vale dar uma olhada nesse vídeo aqui:

Uma busca no Google ou no Youtube traz todo tipo de “acusação” de plágios. Inclusive de pessoas que não percebem que o alegado plágio é uma versão (oficial, espero) da música em português do seu original, geralmente em inglês. Outros pegam um riff de guitarra ou de baixo e já saem falando que a música é cópia, quando, na verdade, todo o resto é diferente.

Mas o caso que mais me intrigava há muito tempo é o de uma música do Skank, Mandrake e os Cubanos (1998). Aproveitei o ensejo da notícia do Justin Timberlake para finalmente “ir atrás”. Tanto que até resolvi fazer esse blog.

Nas primeiras vezes em que ouvi a música do Skank, falava “isso é igual a Coming Up, do Paul McCartney” (essa última de 1980). Meus amigos, nem sempre músicos, faziam comentários como o que vi nesse blog aqui, que também fala do caso. O rapaz escreveu o seguinte nos comentários: “que maconha vc fumou em comparar mandrake e os cubanos com a musica do Paul McCartney. Pq nada com nada essa comparação“. Nada com nada? Então ouça as duas músicas aqui:

Ainda acha nada a ver? Já houve quem identificasse o riff da guitarra.

Mas eu resolvi (sem fumar nada, diga-se de passagem) ter o trabalho de mostrar o que sempre foi evidente para mim. Editei tudo no simples e leve – também livre, mas limitado em recursos – Audacity.

Para isso, tive que alterar o tom de uma das músicas. Preferi descer o tom da música do Skank e deixar o Samuel Rosa parecendo um cover sintético do Tim Maia a fazer o lendário Paul McCartney ficar com a voz do Alvin e os Esquilos. A diferença no andamento era mínima. Assim, foi possível fazer isso aqui (não está muito bem feito, é verdade, mas finalmente dá para provar a minha “tese”):

Em alguns momentos deixo só a Coming Up (0:55 e 2:03) – a progressão do baixo do refrão do Paul não é utilizada pelo Skank – e deixei tocar sozinha a do Skank (2:25) naquele que parece ser o único trecho que não “gruda” exatamente (só faltava ser tudo igual). Depois um fade out, pois o ponto já está demonstrado.

q.e.d.

E você? Conhece algum caso tão gritante como esse, mas que não seja tão falado por aí e nem tenha gerado processo de plágio? Deixa um comentário aí embaixo…

 

 

 

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